Plano de Trabalho

De Pontão Nós Digitais

O presente Plano de Trabalho tem por objeto detalhar os procedimentos necessários, com vistas ao estabelecimento de parceria para a realização do Programa Laboratórios de Cidades Sensitivas - LabCEUs, ação da Política de Ocupação e Mobilização dos CEUs.

1) Os CEUS

Em março de 2010, o Governo Federal lançou a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Neste cenário, os CEUs (Centros de Artes e Esportes Unificados) fazem parte do Eixo Comunidade Cidadã do PAC 2, ao lado de outros equipamentos sociais de saúde, educação e segurança pública. O objetivo dos CEUs é integrar, num mesmo espaço físico, programas e ações culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, serviços sócio-assistenciais, políticas de prevenção à violência e inclusão digital, de modo a promover a cidadania em territórios de alta vulnerabilidade social das cidades brasileiras. A concepção, objetivos e projetos arquitetônicos de referência dos CEUs foram desenvolvidos por uma equipe multidisciplinar e interministerial que desenvolveu três modelos de CEUs, previstos para terrenos com dimensões mínimas de 700 m², 3.000 m² e 7.000m². Os CEUs Centros de Artes e Esportes Unificados (antigas Praças dos Esportes e da Cultura - PECs) promovem o incentivo, a propulsão, o acesso e a valorização das artes em regiões pouco assistidas por bens e serviços culturais em todos os estados da federação. O financiamento da fruição e da formação cultural nos CEUs está a serviço do desenvolvimento do cenário cultural local na perspectiva de um movimento cadenciado, mas irreversível, de valorização da cultura, da diversidade cultural, da autonomia e do enpoderamento das comunidades que se utilizem do equipamento. Os usos e programação dos CEUs estarão voltados ao aperfeiçoamento destes ativos culturais já existentes na região acrescido do plano de ampliação de repertório que possibilitará a formação e fruição em linguagens e conteúdos pouco explorados naquela comunidade no sentido de oferecer um “cardápio” o mais amplo possível de ofertas culturais, favorecer a troca entre agentes, eventos e projetos de linguagens distintas, criar um ambiente propício para a formação nas artes e alcançar o efeito de propulsão do cenário cultural local. Todos os CEUs possuem em seu programa um espaço físico com equipamentos e mobiliários dimensionados para a existência de um telecentro. Essa proposta pretende dar significado e atualizar os conceitos de inclusão digital para transformar esses telecentros em laboratórios de tecnologias livres, voltados para a apropriação da comunidade de entorno.

2) A SEC

A Secretaria da Economia Criativa (SEC) tem como missão conduzir a formulação, a implementação e o monitoramento de políticas públicas para o desenvolvimento local e regional, priorizando o apoio e o fomento aos profissionais e aos micro e pequenos empreendimentos criativos brasileiros. O objetivo é contribuir para que a cultura se torne um eixo estratégico nas políticas públicas de desenvolvimento do Estado brasileiro. Em consonância com sua missão e com a Meta 43 do Plano Nacional de Cultura cujo objetivo é ter até 2020 100% das Unidades da Federação (UFs) com um núcleo de produção digital audiovisual e um núcleo de arte, tecnologia e inovação, ao propor o projeto LabCEUs visa estimular a presença de laboratórios de tecnologias livres, incentivando e induzindo ações de experimentação e empreendedorismo digital.

3) INCITI / UFPE

O INCITI/UFPE reúne pesquisadores comprometidos com a qualidade da vida urbana. A equipe formada por arquitetos, biólogos, botânicos, sociólogos, psicólogos, engenheiros, economistas, designers, profissionais de comunicação, cientistas da computação entre outros, compartilha uma visão de mundo inovadora e otimista. Com uma perspectiva transdisciplinar a equipe se dedica a investigar a experiência urbana, analisar qualidades do espaço e do comportamento dos habitantes além de buscar entender como as pessoas pensam a cidade e suas atitudes no dia a dia. Conhecimentos são para serem compartilhados e os estudos realizados pelo INCITI objetivam promover reflexões e principalmente a catalisação de movimentos e projetos geradores de mudanças positivas.

4) Programa Laboratórios de Cidades Sensitivas – LabCEUs

O programa Laboratórios de Cidades Sensitivas – LabCEUs tem como missão a promoção de políticas de cidadania através do urbanismo emergente e de inovação, por meio das interações sociais e tecnológicas, para ativar espaços de criatividade cidadã e de produção social com o objetivo de transformar os territórios de vivências das comunidades atendidas pelo programa CEUs as Artes. Nesta perspectiva, os Laboratórios de Cidades Sensitivas tem como recorte o aprofundamento das ações de ocupações para gerar novos conhecimentos através de experiências em tecnologias digitais e sistemas dinâmicos dentro e fora dos CEUs. Estas práticas visam a ampliação do sentido de urbanismo e moradia para uma ciência onde as ruas e os equipamentos culturais se tornam plataformas abertas para compartilhar e experimentar ideias sustentáveis e de alterações sociais.

JUSTIFICATIVA

Telecentros, Cultura Digital e Redes de Laboratórios Os telecentros, células de articulação sócio-digital no Brasil, proporcionaram aos cidadãos acesso a computadores e à internet durante uma década. Nesse período, metabolizaram formatos inovadores de relações e práticas a partir de iniciativas individuais que iam além do simples acesso para explorar as reais potencialidades da produção em rede. A estrutura embrionária dos telecentros, parcialmente modificada através da Ação Cultura Digital/Cultura Viva, precisa ser continuamente reinventada. Não se trata mais de garantir a manutenção de determinado papel social (como o de usuário das tecnologias) em um ambiente conectado, e sim de reconhecer novos papéis e possibilidades de expressão que podem ser articulados a partir destas novas tecnologias. Trata-se assim de possibilitar e estimular a emergência de laboratórios experimentais comunitários, onde novas formas de sociabilidade podem surgir e se desenvolver. Esses laboratórios devem se basear no acesso às tecnologias de baixo-custo, através de um modelo de compartilhamento de ideias e prototipagem rápida de soluções, e fazer com que projetos experimentais desenvolvidos tomem dimensões fundamentais, como o caso da impressora 3D, que alterou o conceito da indústria em seu cerne. Esses espaços, através da computação ubíqua, possibilitam a construção de inúmeros dispositivos faça-você-mesmo de cartografias sensitivas e expressões estéticas, que são, em sua gênese, motrizes da inovação intelectual e produtiva da atual economia criativa. Para além, laboratórios de Hacklabs e Makerspaces sugerem caminhos para a apropriação crítica das tecnologias. Longe de se constituir simplesmente como um espaço de acesso à Internet, tais laboratórios devem ser pensados como um ambiente produtivo, fomentando a experimentação tecnológica e colaboração social. Com base nessas experiências e ações estabelecidas, formam-se as bases conceituais e práticas para a implementação dos Laboratórios Multimídia dos CEUs – os LabCEUs – Laboratórios de Cidades Sensitivas. Por conta deste caráter constitutivo interno, é fundamental que os LabCEUs se conectem não só com a Internet, mas também com a cidade. Esta por sua vez não deve ser compreendida como uma paisagem urbana dada, mas como uma espécie de sistema operacional vivo de trocas tecnoculturais. Nesta perspectiva, a cidade é encarada como um organismo complexo de pessoas, máquinas e naturezas. Deste modo, para alcançar seus objetivos, é fundamental que os laboratórios não sejam espaços reclusos. Pelo contrário, os LabCEUs devem operar como hubs deste sistema operacional vivo, que possibilita a produção de encontros potentes do ponto de vista da apropriação tecnológica para a transformação social. Dado este breve diagnóstico das limitações de políticas públicas baseadas apenas na noção de inclusão digital, fica evidente a insuficiência da promoção do acesso à Internet por meio de telecentros. Por isto, o presente projeto está estruturado de forma a priorizar os laboratórios como espaços de produção, ao mesmo tempo em que fornece uma interface possível entre as redes e a comunidade local.

METODOLOGIA DA PARCERIA E METAS A SEREM ATINGIDAS

Os CEUs, com seus Laboratórios Multimídia, já possuem equipamentos e ambientes para o exercício de experimentação criativa em tecnologia e artes. A ação Laboratórios de Cidades Sensitivas - LabCEUs, foca-se, portanto, nas ocupações artísticas como forma de organizar e gerir estes espaços, junto à comunidade e a região. Para isso, as ações metodológicas estão fundamentadas na intensa troca entre os CEUs através de uma equipe que tem como objetivo ampliar a produção de ideias e ações práticas. Encontros presenciais servem como base para a construção de laboratórios ricos em experimentações tecnológicas para transformações urbanas e sociais a partir dos CEUs. Será realizado – através de Chamada Pública aberta pelo INCITI/UFPE – o convite para artistas, makers (fazedores), midialivristas, arquitetos, biólogos, cientistas sociais, engenheiros, urbanistas e demais interessados em laboratórios cidadãos de investigação e difusão de projetos culturais de diferentes formas de aprendizagens colaborativas em rede, para Ocupação da infraestrutura dos LabCEUs conforme descrita:

  • 10 Ocupações de até 4 meses;
  • 20 Ocupações de até 2 meses.

As convocatórias serão divididas em duas fases de implementação e acompanhamento das ocupações:

  • Primeira fase de Ocupações: composta de 5 ocupações de até 4 meses e 10 ocupações de até 2 meses;
  • Segunda fase de Ocupações: composta de 5 ocupações de até 4 meses e 10 ocupações de até 2 meses.

Os interessados em executarem as ocupações deverão apresentar proposta de investigação que dialogue com as áreas de trabalho descritas abaixo e presentes na convocatória:

  • Experimentação em audiovisual e mídia livre;
  • Fabricação de artefatos digitais;
  • Softwares e Hardwares criativos e dispositivos embarcados;
  • Metareciclagem;
  • Internet das Coisas e cultura de dados;
  • Ciência cidadã e inovações educativas;
  • Cozinha e alimentação contemporânea;
  • Cultura Digital e Espiritualidade;
  • Economia Criativa.

A proposta deverá transformar e enriquecer as atividades do laboratório com a comunidade ao redor do CEU, através de colaborações, mediação, contato com usuários e público. A proposta também deverá desassociar-se do espaço do laboratório por meio de informações, documentação, mostra e derivados. Serão exigidas nas Ocupações experiências em trabalhos em equipe e dinâmicas colaborativas; o fortalecimento das linhas de trabalho descritas na Chamada Pública e projetos que dialoguem com a comunidade no entorno do laboratório; o uso e desenvolvimento de ferramentas digitais de comunicação, documentação e trabalhos em rede; a experiência em projetos de conhecimento aberto, inovação social e participação cidadã. Os bolsistas selecionados para executarem as ocupações dos LabCEUs contarão com apoio das equipes de Mediação e de Formação. Essas equipes serão responsáveis pelo acompanhamento das ocupações e orientação dos projetos em rede com outras ocupações e com a sociedade do entorno dos CEUs. As Equipes de Mediação e Formação perpassam os diferentes saberes que envolvem as experimentações em tecnologias digitais e artes, como ações de mídia livre e suas experiências de produção de conteúdos para Internet e rádio, além de produção multimídia e curadoria de projetos que envolvem ações de experimentação em interatividade na Internet por meio de dispositivos conectados nas comunidades, colocando estas práticas como conteúdo programático para as formações continuadas nos LabCEUs. Durante as Ocupações, todos os Bolsistas serão convidados para interagirem o desenvolvimento de seus projetos diretamente com a comunidade local. Desta forma, os Bolsistas Gestores Locais dos CEUs serão instruídos a dialogar com a comunidade sobre as ações a serem desenvolvidas e articular convidados locais e regionais para tomarem parte nas Ocupações e Formações. Os Bolsistas de Ocupação serão instruídos a dialogarem seus projetos com a comunidade do entorno dos LabCEUs, na tentativa de relacionar seus projetos com as necessidades locais. Os Bolsistas de Mediação serão instruídos a convidarem artistas, coletivos, cientistas e demais pessoas interessantes aos processos em desenvolvimento que busquem também articulação, em seu trabalho, com comunidades tradicionais e culturais da região. E os Bolsistas de Formação deverão constantemente abarcar o público do entorno em suas atividades durante as Ocupações. O processo deverá ser todo documentado pelo proponente, mediadores e bolsistas gestores do CEU. O projeto terá divulgação via redes sociais e assessoria de imprensa. Também conta com o desenvolvimento de uma plataforma web para cartografia georeferenciada dos LabCEUs, bem como um agregador de conteúdos dos sites, hashtags e blogs de cada uma das unidades. Além, a plataforma será responsável pela comunicação institucional do projeto.

EQUIPE:

Bolsistas gestores

Coordenam o projeto, as diretrizes pedagógicas, as ações e articulam parcerias entre governos e sociedade civil. Responsáveis pela administração fiscal, gestão de informação, comunicação interna e externa e mobilização das atividades nos laboratórios. Acompanhamento das Ocupações e suas monitorias, formações e encontros.

Bolsista Gestão Integrada

Responsável pela administração fiscal e gestão de informação.

Bolsista Comunicação

Responsável pela comunicação externa e mobilização interna das equipes.

Bolsista Programador

Responsável pelo desenvolvimento e manutenção da plataforma web de interação entre os Laboratórios. === Bolsistas Gestão CEUs === . Realiza a gestão técnico-administrativa e coordenação dos projetos locais. Possuem proximidade com a cultura digital. São responsáveis pela agenda de ocupação dos laboratórios. Acompanham as ocupações, organizam listas de presença, necessidades das ocupações, inscrições de participantes nos laboratórios, oficinas e relatórios. Estão presentes no dia a dia do laboratório. Bolsistas de Mediação e Bolsistas de Formação Desenvolvem ações durante os encontros: ocupações, oficinas, experimentações e intervenções nos espaços dos CEUs e no entorno. Participam das ocupações promovidas nos CEUs, acompanham e orientam bolsistas selecionados para a ocupação. Desenvolvem material didático (Tutoriais e Screencasts). Participam da documentação das atividades em registros audiovisuais e textuais.

Bolsistas Ocupações

Selecionados através de chamada pública, serão os principais responsáveis pelas ações de ocupação nos Laboratórios. Advindos de diversas áreas da Economia Criativa, desenvolverão seus projetos nos laboratórios dos CÉUs em sintonia com as necessidades locais de cada espaço que hospeda a ocupação.

PRODUTOS

Os recursos destinados à parceria entre a UFPE e a SEC gerarão alguns produtos, conforme detalhamento a seguir apresentado:

Primeira Fase de Ocupação LabCEUs

  • 5 ocupações de 4 meses;
  • 10 ocupações de 2 meses.

Preparação, lançamento, chamada pública, execução, formação, acompanhamento e documentação

Segunda Fase de Ocupação LabCEUs

  • 5 ocupações de 4 meses;
  • 10 ocupações de 2 meses.

Preparação, lançamento, chamada pública, execução, formação, acompanhamento e documentação

Plataforma Web

  • Plataforma web, hospedada no culturadigital.br, para agregação de conteúdos: Screencast, Microfilmes, Podcast, Blogs, Agregador de conteúdos e hashtags, hospedado no culturadigital.br.

Os produtos deverão ser entregues ao responsável pelo acompanhamento na Secretaria de Economia Criativa, no prazo máximo de 30 dias, contados após o encerramento de cada etapa. Os produtos serão apresentados em conformidade com o cronograma proposto a seguir:

ATENÇÃO: COLOCAR IMAGEM DO CRONOGRAMA.JPG